Não somos nada. Não somos ninguém... devemos olhar a vida de frente, vive-la da forma que gostamos, da forma que nos sentimos melhor, jamais criticar o outro, por isto ou aquilo banalmente. Cada um de nós é um ser individual, com gostos muitos pessoais, peculiares ou mesmo extravagantes que sejam mas são unicamente nossos e de mais ninguém. Olhemos para nós, para dentro do nosso ser e sejamos nós próprios sem gastar tempo e animo a ver e criticar os pseudo-defeitos dos outros ao invés de assumir que também nós temos defeitos como todos os outros. Eu sou o que sou, sou quem sou, apenas uma mulher que aqui se espelha, que gosta de tudo o que aqui fixa e se assume assim, tal e qual como é e como se sente. Eu sou isto, eu sou o que aqui lêem, tudo o que aqui vêem e tudo o que aqui ouvem. E sou ainda muito mais... Mas este espaço só é digno de alguns... Só é digno de quem se olha no espelho , reconhece os seus defeitos e sabe respeitar os outros... Boa Viagem!


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Bruxa









«O meu nome?
O meu não importa... é apenas um nome... mais um nome como tantos outros que tive em tantas outras vidas.

Sim! Era uma bruxa ou uma feiticeira como quiserem chamar.
Filha da Natureza, Princesa da Floresta, cedo aprendi os seus segredos, a sua linguagem, os seus sons e chamamentos.
Falava com os animais e comungava com a Flora.

Curioso... sorrio ao saber a precisão com que te lembras dos mais infimos detalhes de mim...
Eu ainda guardo em mim a lembrança dessa vida, a lembrança do primeiro dia em que te vi...

... Colhia plantas, ervas, flores, com elas fazia magia, conseguia extrair a sua mais pura essência e curar quem buscava a cura, guardava dentro de mim segredos ancestrais transmitidos por vozes doces e suaves que me aconselhavam prudência.
Rodeada pelos animais na clareira do grande carvalho executava as minhas tarefas para poder preparar os mais diversos remédios, as mais diversas poções... de repente tudo se calou á minha volta... o silêncio dizia que podia haver perigo, o silêncio significava que algo de estranho se passava... virei-me... cavaleiro e sua montada eram altivos e a avaliar pelas roupagens de certeza de origem nobre. Fitei o teu olhar sem o menor movimento e os teus olhos repousaram nos meus... Não fizeste o mais pequeno movimento... os teus olhos fecharam-se e tombaste a meus pés...

Tratei as tuas feridas... Curei a tua alma e foste tu que afinal lançaste sobre mim o maior dos Feitiços... o Amor...

Jamais esquecerei a forma como te entregaste á minha alma, a forma como possuiste o meu corpo não te importando do que sobre mim falavam os que não me conheciam e por isso me temiam.

Perdoo-os, perdo-o a todos quantos me julgaram e condenaram... ignorância... pura ignorância e medo. Quando se teme o desconhecido cometem-se actos atrozes...

Ali, despida de tudo e perante todos apenas via os teus olhos... chorei... não por mim que não temia a morte mas por sentir o teu sofrimento... ao me condenarem condenaram-nos á Vida Eterna, ao Amor Eterno.

Ali prostrada já não sentia nada... apenas sentia a tua mão que me tocava... o punhal que me apontavas num acto de misericórdia... entreguei-me então nas tuas mãos... entreguei-me a ti Eternamente... entreguei-me ao Fogo que exalava de nós, que exalava dos nossos corpos e que juntos ateámos derradeiramente nesta vida.

Não te condenes meu Eterno Amor!»

(7 Julho 2007)


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