Não somos nada. Não somos ninguém... devemos olhar a vida de frente, vive-la da forma que gostamos, da forma que nos sentimos melhor, jamais criticar o outro, por isto ou aquilo banalmente. Cada um de nós é um ser individual, com gostos muitos pessoais, peculiares ou mesmo extravagantes que sejam mas são unicamente nossos e de mais ninguém. Olhemos para nós, para dentro do nosso ser e sejamos nós próprios sem gastar tempo e animo a ver e criticar os pseudo-defeitos dos outros ao invés de assumir que também nós temos defeitos como todos os outros. Eu sou o que sou, sou quem sou, apenas uma mulher que aqui se espelha, que gosta de tudo o que aqui fixa e se assume assim, tal e qual como é e como se sente. Eu sou isto, eu sou o que aqui lêem, tudo o que aqui vêem e tudo o que aqui ouvem. E sou ainda muito mais... Mas este espaço só é digno de alguns... Só é digno de quem se olha no espelho , reconhece os seus defeitos e sabe respeitar os outros... Boa Viagem!


sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Leva-me Contigo




Vou lembrar-me desta noite
Desta noite que nos fez falarmos sem nos falarmos
E quando falamos dissemos tudo de uma vez

A música está alta como nós
E o tempo a nosso favor
Não percebemos nada daquilo que dizemos
Mas assim talvez seja melhor

Deixa-te levar, deixa-te levar
E leva-me contigo, leva-me contigo, leva-me contigo

Cheiramos a fumo e noite
Meio despidos pelo chão
E naquele momento
Sentimos-nos livres, sentimos-nos vivos
E a seguir ninguém quer falar
Jogamos a palavra à sorte
E depois ninguém diz nada
É melhor não dizer nada
Que o que não se diz é muito mais forte

Deixa-te levar, deixa-te levar
E leva-me contigo, leva-me contigo, leva-me contigo
Leva-me contigo, leva-me contigo, leva-me contigo

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Ghost

Um Filme Que Sempre Quisemos Ver Juntos...







Sam Wheat (Patrick Swayze) e Molly Jensen (Demi Moore) formam um casal muito apaixonado que vêem as suas vidas destruídas, pois ao voltarem de uma apresentação de "Hamlet" são atacados e Sam é morto. No entanto, seu espírito não vai para o outro plano e decide ajudar Molly, pois ela corre o risco de ser morta e quem comanda a trama, é o mesmo que o matou, é quem Sam considerava seu melhor amigo. Para poder comunicar com Molly ele utiliza Oda Mae Brown (Whoopi Goldberg), uma médium aldrabona que consegue ouvi-lo, para desta maneira alertar sua esposa do perigo que corre.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Sair á Rua, Tomar Um Café Numa Esplanada

Tenho muitas saudades de sair e sentar-me a ler um livro numa esplanada





...e saudades de saborear um bom café e sentir de novo o seu aroma.



segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Se Eu Não Te Amasse Tanto Assim




Meu coração, sem direção
Voando só por voar
Sem saber onde chegar
Sonhando em te encontrar
E as estrelas
Que hoje eu descobri
No seu olhar
As estrelas vão me guiar
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez perdesse os sonhos
Dentro de mim
E vivesse na escuridão
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez não visse flores
Por onde eu vim
Dentro do meu coração
Hoje eu sei, eu te amei
No vento de um temporal
Mas fui mais, muito além
Do tempo do vendaval
Nos desejos
Num beijo
Que eu jamais provei igual
E as estrelas dão um sinal
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez perdesse os sonhos
Dentro de mim
E vivesse na escuridão
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez não visse flores
Por onde eu vim
Dentro do meu coração

domingo, 25 de setembro de 2011

EU...




Mulher, como todas as mulheres, mulher como uma só mulher, mulher única.
Rompi para a vida, desci para o mundo cedo demais, antes do meu tempo, foi esse o meu tempo e é este o meu tempo.
Decidi como decido tudo. Sou eu, sou dona de mim, dos meus actos, do que vivo.
Penso, ajo, sofro, rio e choro naturalmente...
Caminho em fortes passadas impondo-me sobre o mundo e obrigando-o a aceitar-me e a ter-me como vida sua.
É simuoso o caminho, os passos dolorosos acalmam mas a vida segue frenética ao meu lado...
Teimo em não parar para que ninguém perceba que abrando, sorrio a desvio a mecha de cabelo que cai sobre a minha testa e se une com o suor que me preenche o rosto.
Não páro, não quero parar...
Cansada suspiro e inspiro o mundo, o tempo, e ninguém olha.
Invisivel, respiro e vivo.
Uma lágrima rola, o preço da dor de mais um passo que dou no fervor do caminho ingreme que subo agora...
Mas caminho, caminho sempre, sempre!
Porque a jornada não tem fim e eu não desisto nem páro:

VIVO!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Dona




Dona desses traiçoeiros
Sonhos sempre verdadeiros
Oh! Dona desses animais
Dona dos seus ideais
Pelas ruas onde andas
Onde mandas todos nós
Somos sempre mensageiros
Esperando tua voz
Teus desejos, uma ordem
Nada é nunca, nunca é não
Porque tens essa certeza
Dentro do teu coração
Tan, tan, tan, batem na porta
Não precisa ver quem é
Pra sentir a impaciência
Do teu pulso de mulher
Um olhar me atira à cama
Um beijo me faz amar
Não levanto, não me escondo
Porque sei que és minha
Dona!!!
Dona desses traiçoeiros
Sonhos sempre verdadeiros
Oh! Dona desses animais
Dona dos seus ideais
Não há pedra em teu caminho
Não há ondas no teu mar
Não há vento ou tempestade
Que te impeçam de voar
Entre a cobra e o passarinho
Entre a pomba e o gavião
Ou teu ódio ou teu carinho
Nos carregam pela mão
É a moça da Cantiga
A mulher da Criação
Umas vezes nossa amiga
Outras nossa perdição
O poder que nos levanta
A força, que nos faz cair
Qual de nós ainda não sabe
Que isso tudo te faz
Dona! Dona!
Dona! Dona! Dona!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Um Génio



Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é

(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua

A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas —
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas —,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta

E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantámo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno — não concebo bem o quê —,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.

Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olhou-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.

O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

Fernando Pessoa

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Think Of Me




Think of me, think of me fondly,
When we've said goodbye.
Remember me once in a while -
Please promise me you'll try.
When you find that, once
Again, you long to take your heart back and be free -
If you ever find a moment
Spare a thought for me...
We never said our love was evergreen,
Or as unchanging as the sea -
But if you can still remember,
Stop and think of me...
Think of all the things
We've shared and seen -
Don't think about the way
things might have been...
Think of me, think of me waking silent and resigned
Imagine me, trying too hard to put you from my mind
Recall those days, look back on all those times
Thinks of the things, we'll never do
There will never be a day, when I won't think of you
Long ago, it's seems so long ago,
how young and inocent we were
She may not remember me,
but I remember her...
Flowers fade, the fruits the summer fade,
they have your seasons so do we
but please promise me, that sometimes
you will think...
...of me!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O Nosso GOZO



Gozo I

Linho dos ombros
ao tacto
já tecido

Túnica branda
cingida sobre as
espáduas

Os rins despidos
no fato já subido:
as tuas mãos abrindo a madrugada

Linho dos seios
na roca dos sentidos
a seda lenta sedenta na garganta

a lã da boca
cardada
no gemido

e nos joelhos a sede
que os abranda

Linho das ancas
bordado
de torpor

a boca espessa
o fuso da garganta

Gozo II
Desvia o mar a rota
do calor
e cede a areia ao peso
desta rocha

Que ao corpo grosso
do sol
do meu corpo
abro-lhe baixo a fenda de uma porta

e logo o ventre se curva
e adormece

e logo as mãos se fecham
e encaminham

e logo a boca rasga
e entontece

nos meus flancos
a faca e a frescura
daquilo que se abre e desfalece
enquanto tece o espasmo o seu disfarce

e uso do gozo
a sua melhor parte

Gozo III
Põe meu amor
teu preceito

teu pénis
meu pão tão cedo
de vestir e de enfeitar
espasmos tomados por dentro

e guarnecer o deitar
daquilo que vou gemendo

Meu amor
por me habitares
com jeito de teu
invento

ou com raiva
de gritares
quando te monto e me fendo

Gozo IV
Que tenhas de mim
o contorno incerto
acertado nas linhas do
teu corpo

os dentes nos lóbulos e no pescoço
os lábios
a língua a cobrirem os ombros

Gozo V
Vigilante a crueldade
no meu ventre

A fenda atenta
e voraz
que devora o que é
dormente

a febre que a boca
empresta
a vela que empurra o vento

a vara que fende
a carne

a crueldade que entende
o grito sobre o orgasmo
que me prende e me desprende

Gozo VI
São de bronze
os palácios do teu sangue

de cristal absorto
encimesmado

São de esperma
os rubis que tens no corpo
a crescerem-te no ventre
ao acaso

São de vento – são de vidro
são de vinho
os liquidos silencios dos teus olhos

as rutilas esmeraldas que
sózinhas
ferem de verde aquilo que tu escolhes

São cintilantes grutas
que germinam
na obscura teia dos teus lábios

o hálito das mãos
a língua – as veias

São de cupulas crisálidas
são de areia

São de brandas catedrais
que desnorteiam

(São de cupulas crisálidas
são de areia)

na minha vulva
o gosto dos teus espasmos

Gozo VII
São as tuas nádegas
na curva dos meus dedos

as tuas pernas
atentas e curvadas

O cravo – o crivo
sabor da madrugada
no manso odor do mar das tuas
espáduas

E se soergo com as mãos
as tuas coxas
e acerto o corpo no calor
das vagas

logo me vergas

e és tu então
que tens os dedos
agora
em minha nádegas

Gozo VIII
Em cada canal
a sua veia

o veio que entumesce
no fundo da sua teia

Em cada vento
o seu peixe
no tempo que a água tenha

sedosa na sua sede
viciosa em sua esteira

Da seda
o tacto e o suco
dos lábios à sua beira

como se fosse um beiral
do corpo
pra língua inteira

ou o lugar para guardar
o punhal
que se queira

Em cada punho
o seu ócio

um cinzel
de lisura

com a doçura do pranto
da prata e bronze
a secura

O travesseiro não apoia
as pernas já afastadas
mas ajusta as ancas dadas

Escalada
que se empreende na pele das tuas nádegas

Em cada corpo há o tempo
no gozo da sua adaga

Mas só no teu há o espasmo
com que o teu pénis
me alaga

Gozo IX
Ondula mansamente a tua língua
de saliva tirando
toda a roupa...

já breves vêm os dias
dentro de noites já
poucas.

Que resta do nosso
gozo
se parares de me beijar?

Oh meu amor...
devagar...
até que eu fique louca!

Depois... não vejas o mar
afogado em minha
boca!

Gozo X
São de alumínio
os flancos
e de feltro a língua

de felpa ou seda
a abertura incerta
que cede breve a humidade
esguia
presa no quente do interior
da pedra

Ou musgo doce
de haste sempre dura
de onde pendem seus dois mansos frutos
que a boca aflora e os dentes prendem
a tatear-lhes
o hálito e o suco

Gozo XI
Conduzes na saliva
um candelabro aceso

um chicote de gozo
nas palavras

E a seda do meu corpo
já te cede
neste odor de borco em que me abres

Sedenta e sequiosa
vou sabendo
a demorar o tempo que se espraia
ao longo dos flancos que vou tendo:

as tuas pernas
vezes teu ventre

A tua língua
vezes os teus dentes

na pressa veloz com que me rasga

Gozo XII
São tuas as pálpebras
dos meus dias

tal como a laranja do lago
estagnado
é a lua do lago ao meio dia
quando o sol dos ombros está
rasgado

São teus os cílios
que as noites utilizam
é tua a saliva dos meus
braços

é teu o cacto que no ventre
incerto
debruça levar os seus
orgasmos

Não tenho mais que te dizer
das coisas
que tudo o mais te faço eu
deitada

enquanto sentes que o teu corpo
cresce
por dentro do mundo
na minha mão fechada
Maria Teresa Horta

domingo, 18 de setembro de 2011

Dois Corações Unidos




O nosso caso é diferente
Cada momento é especial
O amor vivido intensamente
É como sonho intemporal
Cumplicidade paixão ternura
Tudo é verdade no nosso amor
O nosso caso é aventura
Entre uma dama e um sonhador
Dois corações unidos
Numa dança de alegria e de paixão
Dois corações perdidos
Que se encontraram ao cair de uma ilusão
Dois corações despidos
De dor e solidão
O nosso caso é diferente
Cada momento é especial
O amor vivido intensamente
É como sonho intemporal
Cumplicidade paixão ternura
Tudo é verdade no nosso amor
O nosso caso é aventura
Entre uma dama e um sonhador

sábado, 17 de setembro de 2011

Alma Gémea



Sem te olhar sei que és metade de mim, que teimas em não agarrar, que tento em vão largar.
Possuiste a minha alma, o meu corpo, aprisionaste e marcaste o meu coração...
Fusão da alma ao alcance diminuto do ser que fomos, que somos e que seremos.
Conheço-te de cor, conheço de cor o mapa do teu corpo, a carta do teu coração e o pergaminho da tua doce e velha alma.
Naveguei em águas puras que queria calmas e tranquilas, povoadas afinal de gigantes e criaturas atrozes e contorcidas pela injeva e pela maldade.
Quis ancorar no teu mundo que prometeste idilico, afinal povoado por fantasmas e seres invisíveis.
Quis povoar o teu corpo, abrir as janelas e deixar correr uma suave brisa que o despertasse.
Esperei a semente que povoasse e habitasse o nosso mundo, que perpetuasse a nossa vida, que irrompesse dos nossos corpos e fizesse renascer as nossas almas.
Sonhei um mundo nosso, um sonho de sombras projectadas, quentes e inquietantes que me faziam vibrar de emoção e luxúria.
És alma na minha alma, pele na minha pele e coração no meu coração que bate num ritmo sincopado e único.
Roubaste-me a alma e levaste contigo o ardor e o fogo que acendias com ambas as mãos...

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Te Amo

Descobrindo Neruda...






Te Amo
Te amo de uma manera inexplicable
te amo de uma maneira inexplicável

De una forma inconfesable
de uma forma inconfessável

De un modo contradictorio
de um modo contraditório
Te amo
Con mis estados de ánimo que son muchos
Te amo , com meus estados de ânimo que são muitos

Y cambian de humor continuamente
e mudar de humor continuadamente
Por lo que ya sabes,
pelo que você já sabeEl tiempo
o tempoLa vida
a vidaLa muertaa morte
Te amo
Con el mundo que no entiendo
Te amo, com o mundo que não entendo

Con la gente que no compreende
com as pessoas que não compreendem

Com la ambivalencia de mi alma
com a ambivalência de minha alma

Con la incoherencia de mis actos
com a incoerência dos meus atos

Con la fatalidad del destino
com a fatalidade do destino

Con la conspiración del desejo
com a conspiração do desejo

Con la ambigüedad de los hechos
com a ambigüidade dos fatos

Aún cuando te digo que no te amo, te amo
ainda quando digo que não te amo, te amo

Hasta cuando te angaño, no te engaño
até quando te engano, não te engano

En el fondo, ilevo a cabo un plan
no fundo levo a cabo um plano

Para amarte mejorpara amar-te melhor.
Te amo.
Sin reflexionar, inconscientemente,
Te amo , sem refletir, inconscientemente

irresponsablemente, espontáneamente
irresponsavelmente, espontaneamente

involutariamente, por instinto
involuntariamente, por instinto

por impulso, irracionalmente
por impulso, irracionalmente

En afecto no tengo argumentos lógicos
de fato não tenho argumentos lógicos

ni siquiera improvisados
nem sequer improvisados

Para fundamentar este amor que siento por ti,
para fundamentar este amor que sinto por ti

que surgió misteriosamente de la nada,
que surgiu misteriosamente do nada

Que no ha resuelto mágicamente nada
que não resolveu magicamente nada

Y que milagrosamente, de a poco, con poco ya nada
e que milagrosamente, pouco a pouco, com pouco e nada,

Ha mejorado lo peor de mimelhorou o pior de mim
Te amo.
Te amo con un cuerpo que no piensa
te amo com um corpo que não pensa

Con un corazón que no razona,
com um coração que não raciocina

Con una cabeza que no coordina
com uma cabeça que não coordena
Te amo
incomprensiblemente
te amo incompreensivelmente

Sin preguntarme por qué te amo
sem perguntar-me porque te amo

Sin importarme por qué te amo
sem importar-me porque te amo

Sin cuestionarme por qué te amo
sem questionar-me porque te amo
Te amo
sencillamente porque te amo
Te amo
simplesmente porque te amo

Yo mismo no se por qué te amo

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O Nosso Menino



« Vem cá, meu gato, aqui no meu regaço;
Guarda essas garras devagar,
E nos teus belos olhos de ágata e aço
Deixa-me aos poucos mergulhar.
Quando meus dedos cobrem de carícias
Tua cabeça e o dócil torso,
E minha mão se embriaga nas delícias
De afagar-te o elétrico dorso,
Em sonho a vejo. Seu olhar, profundo
Como o teu, amável felino,
Qual dardo dilacera e fere fundo,
E, dos pés a cabeca, um fino
Ar sutil, um perfume que envenena 
Envolvem-lhe a carne morena. »
Charles Baudelaire

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Amar O Meu Poeta

“Amar um poeta nem sempre é fácil...

Devemos saber separar o que é nosso do que é para nós.
Devemos lembrar-nos que o seu coração é dividido
entre o amor por nós e o seu sonho de amor.
Devemos aceitar o seu olhar para a lua,
os seu desejos pelo impossível,
as suas lembranças de algo que nunca viu.

Para amar um poeta é preciso que estejamos
atentos aos seus devaneios e ás suas viagens imaginárias.

O poeta sente dor que não doi,
Ama o que não conhece,
Sente saudade do que nunca teve,
Inventa sentimentos,
Comete loucuras.

Se quisermos amar um poeta sejamos poetas também,
entremos no seu mundo,
ajudando-o a criar ilusões.

Se desejamos entender um poeta esqueçamo-nos da realidade
Vivamos na eternidade dos sonhos dele.”




terça-feira, 13 de setembro de 2011

Cancao Do Engate





"...Vem que o amor
Não é o tempo
Nem é o tempo
Que o faz
Vem que o amor
É o momento
Em que eu me dou
Em que te dás..."


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

34




“Espero sempre por ti o dia inteiro,
Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.”

Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 11 de setembro de 2011

O Meu Vestido Vermelho...





«Vestia vermelho carmim
Com o seu corpo delgado,
O seu perfume de jasmim
E andar muito delicado.
 
Moderno o seu penteado
Fez um aceno pra mim,
Vestia vermelho carmim
Com o seu corpo delgado.
 
Nunca vi mulher assim
Um caprichoso rebolado,
Esse anjo querubim...
Deixou-me desconcertado;
Vestia vermelho carmim.»

sábado, 10 de setembro de 2011

Quero-te Assim





«Quero sentir o teu corpo
Peso morto sobre mim
Quero subir contigo ao colo
Até ao cume, até ao fim

Quero-te assim em abandono
Nesse teu sono
Nesse teu leito de luz
Quero o meu corpo cansado
Crucificado nos teus braços em cruz

Quero assumir os teus erros, os teus medos
Os teus apavores
Quero-te assim sem defesas, nem certezas
E nem favores»

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Meus Olhos Castanhos



«Teus olhos castanhos
de encantos tamanhos
são pecados meus,
são estrelas fulgentes,
brilhantes, luzentes,
caídas dos céus,
Teus olhos risonhos
são mundos, são sonhos,
são a minha cruz,
teus olhos castanhos
de encantos tamanhos
são raios de luz.

Olhos azuis são ciúme
e nada valem para mim,
Olhos negros são queixume
de uma tristeza sem fim,
olhos verdes são traição
são crueis como punhais,
olhos bons com coração
os teus, castanhos leais.»

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Mulheres...




"...Mas nenhuma delas me fez tão feliz
Como você me faz
.
Procurei em todas as mulheres a felicidade,
Mas eu não encontrei e fiquei na saudade.
Foi começando bem, mas tudo teve um fim.

Você é o sol da minha vida, a minha vontade.
Você não é mentira, você é verdade.
É tudo o que um dia eu sonhei prá mim..."


terça-feira, 6 de setembro de 2011

Inácia




Minha querida amiga, desejo que tenhas um dia muito feliz e que este ainda se prolongue e repita por muitos e muitos anos.

Obrigado, do fundo do meu coração, por tudo o que fizeste por mim e por tudo o que fizeste por “nós”, sempre sem esperares nada em troca.

Tu foste, és e sempre serás a mãe que eu nunca tive, mulher possuidora de um coração enorme, forte e determinada, é meu maior desejo poder retribuir-te todo o teu amor e dedicação.

Desejo para ti muito, muito mais do que desejo para mim.

Adoro-te amiga e mãe do coração e nunca, mas nunca jamais te esquecerei.

Parabés, mil beijos e um abraço do tamanho do mundo com muito carinho e amizade repleto de reconhecimento e agradecimento.

Da tua sempre e para sempre sincera amiga

X...


domingo, 4 de setembro de 2011

I Don't Want To Miss A Thing




«...Laying close to you
Feeling your heart beating
And I'm wondering what you're dreaming
Wondering if it's me you're seeing
Then I kiss your eyes and thank God we're together
And I just want to stay with you
In this moment forever, forever and ever...»

sábado, 3 de setembro de 2011

O Nosso Modo De Amar



Maria Teresa Horta

Modos de amar

Modo de amar – I

Lambe-me as seios
desmancha-me a loucura

usa-me as coxas
devasta-me o umbigo

abre-me as pernas
põe-nas nos teus ombros

e lentamente faz o que te digo:

Modo de amar – II

Por-me-ás de borco,
assim inclinada...

a nuca a descoberto,
o corpo em movimento...

a testa a tocar
a almofada,
que os cabelos afloram,
tempo a tempo...

Por-me-ás de borco;
Digo:
ajoelhada...

as pernas longas
firmadas no lençol...

e não há nada, meu amor,
já nada, que não façamos como quem consome...

(Por-me-ás de borco,
assim inclinada...

os meus seios pendentes
nas tuas mãos fechadas.)

Modo de amar – III

É bom nadar assim
em cima do teu corpo
enquanto tu mergulhas já dentro do meu

Ambos piscinas que a nado atravessamos
de costas tu meu amor
de bruços eu

Modo de amar – IV

Encostada de costas
ao teu peito

em leque as pernas
abertas
o ventre inclinado

ambos de pé
formando lentos gestos

as sombras brandas
tombadas no soalho

Modo de amar – V

Docemente amor
ainda docemente

o tacto é pouco
e curvo sob os lábios

e se um anel no corpo
é saliente
digamos que é da pedra
em que se rasga

Opala enorme
e morna
tão fremente

dália suposta
sob o calor da carne

lábios cedidos
de pétalas dormentes

Louca ametista
com odores de tarde

Avidamente amor
com desespero e calma

as mãos subindo
pela cintura dada
aos dedos puros
numa aridez de praia
que a curvam loucos até ao chão da sala

Ferozmente amor
com torpidez e raiva

as ancas descendo como cabras
tão estreitas e duras
que desarmam
a tepidez das minhas
que se abrem

E logo os ombros
descaem
e os cabelos

desfalecem as coxas que retomam
das tuas
o pecado
e o vencê-lo
em cada movimento em que se domam

Suavemente amor
agora velozmente

os rins suspensos
os pulsos
e as espáduas

o ventre erecto
enquanto vai crescendo
planta viva entre as minhas nádegas

Modo de amar – Vl

Inclina os ombros
e deixa
que as minhas mãos avancem
na branda madeira

Na densa madeixa do teu ventre

Deixa
que te entreabra as pernas
docemente

Modo de amar – VII

Secreto o nó na curva
do meu espasmo

E o cume mais claro
dos joelhos
que desdobrados jorram dos espelhos

ou dos teus ombros os meus:
flancos
na luz de maio

Modo de amar – VIII

Que macias as pernas
na penumbra

e as ancas
subidas
nos dedos que as desviam

Entreabro devagar
a fenda – o fundo
a febre
dos meus lábios

e a tua língua
Vagarosa:

toma – morde
lambe
essa humidade esguia

Modo de amar – IX

Enlaçam as pernas
as pernas
e as ancas

o ar estagnado
que se estende
no quarto

As pernas que se deitam
ao comprido
sob as pernas

E sobre as pernas vencem o gemido

Flor nascida no vagar do quarto

Modo de amar – X

A praia da memória
a sulcos feita
a partir da cintura:

a boca
os ombros

na tua mansa língua que caminha
a abrir-me devagar
a pouco e pouco

Globo onde a sede
se eterniza
Piscina onde o tempo se desmancha
a anca repousada
que inclinas
as pernas retezadas que levantas

E logo
são os dentes que limitam

mas logo
estão os labios que adormentam
no quente retomar de uma saliva
que me penetra em vácuo
até ao ventre

o vínculo do vento
a vastidão do tempo

o vício dos dedos
no cabelo

E o rigor dos corpos
que já esquece
na mais lenta maneira de vencê-los

Modo de amar – XI
((Teu) Baixo ventre)

Nunca adormece a boca no
teu peito

a minha boca no teu baixo
ventre
a beber devagar o que é
desfeito

Modo de amar – XII
(Os testiculos)

Tenho nas mãos
teus testiculos
e a boca já tão perto

que deles te sinto
o vício
num gosto de vinho aberto

Modo de amar – XIII
(As pedras – As pernas)

São as pedras
meus seios
São as pernas

pele e brandura
no interior dos
lábios

rosa de leite
que sobe devagar
na doce pedra
do muco dos meus lábios

São as pedras
meus seios
São as pernas

Pêssegos nus corpo
descascados

Saliva acesa
que a língua vai cedendo

o gozo em cima...
na pedra dos meus
lábios

Jogo do corpo
a roçar o tempo
que já passado só se de memória,
a mão dolente
como quem masturba entre os joelhos...
uma longa história...

Estrada ocupada
onde se vislumbra
(joelhos desviados na almofada )

assim aberta o fim de que desfruta
o fruto do odor
o fundo todo
do corpo já fechado.

Modo de amar – XIV
(As rosas nos joelhos)

São grinaldas de rosas
à roda
dos joelhos

O âmbar dos teus dentes
nos sentidos

O templo da boca
no côncavo do espelho
onde o meu corpo espia
os teus gemidos

É o gomo depois...
e em seguida a polpa...

o penetrar do dedo...
O punho do punhal

que na carne enterras
docemente
como quem adormenta
o que é fatal

É a urze debaixo
e o fogo que acalenta
o peixe
que desliza no umbigo

piscina funda
na boca mais sedenta bordada a cuspo
na pele do umbigo

E se desdigo a febre
dos teus olhos
logo me entrego à febre
do teu ventre

que vai vencendo
as rosas – os escolhos
à roda dos joelhos, docemente.

Modo de amar – XV
(A boca – A rosa)

Entreabre-se a boca
na saliva da rosa

no raso da fenda
na fissura das pernas

Entreabre-se a rosa
na boca que descerra
no topo do corpo
a rosa entreaberta

E prolonga-se a haste
a língua na fissura
na boca da rosa
na caverna das pernas

que aí se entre-curva
se afunda
se perde

se entreabre a rosa
entre a boca
das pétalas