Parada na orla do bosque seguia com o olhar a tua silhueta enquanto caminhavas embrenhando-te rumo á escuridão densa do arvoredo... não te impedindo de prosseguir deixei-te á mercê das mais ignóbeis criaturas ferozes e selvagens que povoavam a escuridão premeditando a emboscada que lhes permitia saciar a sede básica de carne e de sangue, tendo como troféu apenas o teu corpo...
Imóvel, fria, o coração parou deixando de bombear o sangue que me aquecia. O torpor que se apodereou do meu corpo consumia também a minha alma. Baixei o rosto, fechei os olhos, grossas lágrimas emergiam do mais profundo que havia em mim deixando extrapolar toda a minha dor.
Passaram horas e a elas seguiram-se dias, semanas, meses... não sei quanto tempo fiquei esquecida do mundo, quanto tempo fiquei esquecida de mim mesma, apenas presa á lembrança da tua imagem...
Na imensidão daquele limbo perdido em que me afogava teimava em querer á força cortar com as mãos a corrente que me ancorava á solidão. Num último fôlego senti que todas as forças me abandonavam, ergui os braços, olhei em direcção á Luz, soltando num soluço o grito de dor que me abafava a voz pronunciei o nome da única ajuda que possuía, da única mão que poderia guiar os meus passos e devolver-me os sentidos...
O tempo parou... fechei os olhos... o calor tomou conta do meu corpo, aos poucos, num ritmo crescente ventriculos e auriculas bombearam novamente acordando os sentidos e trazendo á lembrança o significado desta vida. Elevei-me acima do solo... emergi da escuridão cortando as amarravas que me prendiam á inanimação e me toldavam os sentidos.
Alada novamente elevei-me acima das copas das árvores que adensavam os bosques, sobrevoeei a escuridão e num vôo rasante acolhi-te ferido e magoado.
Num abraço e sem ofereceres resistência aninhaste-te junto a mim, envolvi-te com as minhas asas, recebi-te no meu seio e olhei-te no olhos.Não parti... não sem ti meu Anjo de Asas Quebradas! Sim já expiaste o suficiente... as asas essas serão sempre tuas... mas não aqui!
Juntos voámos, amámo-nos... relembraste então o doce sabor de voar, de te elevares acima de tudo.
Desta vida quero apenas não esquecer o que me trouxe aqui. Jamais partirei sem ti!
http://nasasasdoarcanjo.blogspot.com/2007/05/desta-vida.html

3 comentários:
Quando escrevias com a alma... colocavas-me a um canto.
Peço-te apenas que retires os meus blogs ali do canto direito. ;-) São passado. O que acho que deva retirar deles, retiro. E viro a página.
Beijos, my companjera.
Pedido concedido.
Apesar de se virar uma página pode sempre ser relida e relembrada.
Beijo Terno e Eterno Meu Amor*
PS."Quando escrevia com alma e com muito Amor..."
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