Não somos nada. Não somos ninguém... devemos olhar a vida de frente, vive-la da forma que gostamos, da forma que nos sentimos melhor, jamais criticar o outro, por isto ou aquilo banalmente. Cada um de nós é um ser individual, com gostos muitos pessoais, peculiares ou mesmo extravagantes que sejam mas são unicamente nossos e de mais ninguém. Olhemos para nós, para dentro do nosso ser e sejamos nós próprios sem gastar tempo e animo a ver e criticar os pseudo-defeitos dos outros ao invés de assumir que também nós temos defeitos como todos os outros. Eu sou o que sou, sou quem sou, apenas uma mulher que aqui se espelha, que gosta de tudo o que aqui fixa e se assume assim, tal e qual como é e como se sente. Eu sou isto, eu sou o que aqui lêem, tudo o que aqui vêem e tudo o que aqui ouvem. E sou ainda muito mais... Mas este espaço só é digno de alguns... Só é digno de quem se olha no espelho , reconhece os seus defeitos e sabe respeitar os outros... Boa Viagem!


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Elegia do Amor I





Lembras-te, meu amor,
Das tardes outonais,
Em que íamos os dois,
Sozinhos, passear,
Para fora do povo
Alegre e dos casais,
Onde só Deus pudesse
Ouvir-nos conversar?
Tu levavas, na mão,
Um lírio enamorado,
E davas-me o teu braço;
E eu triste, meditava
Na vida, em Deus, em ti...
E, além, o sol doirado
Morria, conhecendo
A noite que deixava.
Harmonias astrais
Beijavam teus ouvidos;
Um crepúsculo terno
E doce diluía,
Na sombra, o teu perfil
E os montes doloridos...
Erravam, pelo Azul,
Canções do fim do dia.
Canções que, de tão longe,
O vento vagabundo
Trazia, na memória...
Assim o que partiu
Em frágil caravela,
E andou por todo o mundo,
Traz, no seu coração,
A imagem do que viu.
Olhavas para mim,
Às vezes, distraída,
Como quem olha o mar,
À tarde, dos rochedos...
E eu ficava a sonhar,
Qual névoa adormecida,
Quando o vento também
Dorme nos arvoredos.
Olhavas para mim...
Meu corpo rude e bruto
Vibrava, como a onda
A alar-se em nevoeiro.
Olhavas, descuidada
E triste...
Ainda hoje te escuto
A música ideal
Do teu olhar primeiro!
Ouço bem a tua voz,
Vejo melhor teu rosto
No silêncio sem fim,
N a escuridão completa!
Ouço-te em minha dor,
Ouço-te em meu desgosto
E na minha esperança
Eterna de poeta!
O sol morria, ao longe;
E a sombra da tristeza
Velava, com amor,
Nossas doridas frontes.
Hora em que a flor medita
E a pedra chora e reza,
E desmaiam de mágoa
As cristalinas fontes.
Hora santa e perfeita,
Em que íamos, sozinhos,
Felizes, através
Da aldeia muda e calma,
Mãos dadas, a sonhar,
Ao longo dos caminhos...
Tudo, em volta de nós,
Tinha um aspecto de alma.
Tudo era sentimento,
Amor e piedade.
A folha que tombava
Era alma que subia...
E, sob os nossos pés,
A terra era saudade,
A pedra comoção
E o pó melancolia.
Falavas duma estrela
E deste bosque em flor;
Dos ceguinhos sem pão,
Dos pobres sem um manto.
Em cada tua palavra,
Havia etérea dor;
Por isso, a tua voz
Me impressionava tanto!
E punha-me a cismar
Que eras tão boa e pura,
Que, muito em breve - sim! -,
Te chamaria o céu!
E soluçava, ao ver-te
Alguma sombra escura,
Na fronte, que o luar
Cobria, como um véu.
A tua palidez
Que medo me causava!
Teu corpo fino
E leve (oh meu desgosto!)
Que eu tremia, ao sentir
O vento que passava!
Caía-me, na alma,
A neve do teu rosto.
Como eu ficava mudo
E triste, sobre a terra!
E uma vez, quando a noite
Amortalhava a aldeia,
Tu gritaste, de susto,
Olhando para a serra:-
Que incêndio! -
E eu, a rir,
Disse-te: - É a lua cheia!...
E sorriste também
Do teu engano.
A lua
Ergueu a branca fronte,
Acima dos pinhais,
Tão ébria de esplendor,
Tão casta e irmã da tua,
Que eu beijei, sem querer,
Seus raios virginais.
E a lua, para nós,
Os braços estendeu.
Uniu-nos num abraço,
Espiritual, profundo;
E levou-nos assim,
Com ela, até ao céu...
Mas, ai, tu não voltaste
E eu regressei ao mundo. (...)
Teixeira de Pascoaes

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Voltar á Praia...

Voltar a sentir a brisa marinha...



Olhar o infinito e ouvir o som do mar...




Sentir novamente a areia nos pés...



A frescura do mar...



Poder caminhar á beira mar...



Ver de novo o pôr do sol...

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Oeiras: A Tua Esplanada, o Meu Passeio Marítimo

A Minha Vista



A Tua Esplanada








A Tua Vista Da Esplanada






O Meu Jogging









ATua Esplanada, A Tua Cervejinha e o Teu Jornal


terça-feira, 4 de outubro de 2011

Roubo-Te Um Beijo...

(De certeza que não escreves-te esta letra...?)





Eu hei de de ir à tua casa
Para me dizeres como é
E beber do teu amor
numa chávena de café

Vou rodar a tua saia
Ao dançarmos na varanda
Vou mostrar à visinhança
Que não morre a minha esperança

Roubo-te um beijo
Depois de roubado é meu
Faço uma cena como vi lá no cinema
Nesse dia se tiver um beijo teu

Eu hei de ir à tua casa
E dizer tudo o que sinto
Vou dizer toda verdade
Desta vez juro não minto
Segredar no teu ouvido
O que tenho pra te dar
Envolver-te num abraço
Ver o dia madrugar

Roubo-te um beijo
Depois de roubado é meu
Faço uma cena como vi lá no cinema
Nesse dia se tiver um beijo teu

Todo o beijo que é roubado
Tem 1000 anos de perdão
Mas só se for guardado junto ao coração

Roubo-te um beijo
Depois de roubado é meu
Faço uma cena como vi lá no cinema
Nesse dia se tiver um beijo teu

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Espectro





Deixai toda a esperança, ó vós que entrais!”... assim começa a minha viagem pelos nove aneis do Inferno...

Caminhei ignorando aquelas palavras... de início não me dei conta de onde estava mas continuei sem olhar para trás pela mão de Dante.

À medida que avançava o caminho tornou-se mais dificil e doloroso, o ar irrespirável, ardiam-me os olhos e a garganta, a cabeça latejava, ansiava apenas por uma gota de água, percorri cada passo dolorosamente e acreditem que vi outros espectros, muitas outras almas como eu...

A dor era tudo naquele mundo, o desespero tomava conta dos nossos corpos, desacredita-se a vida, perdem-se as forças e chegamos ao mais fundo do pior da condição humana, mas a esperança, essa nunca fica á porta, a fé vai dentro do coração e a força na alma.

Atravessei os nove aneis, dormente, adormecida, sem saber bem como consegui chegar ao centro, mesmo julgando não ter mais forças aguentei ultrapassando todos os meus limites.

Agora parti do centro,  onde me recusei a ficar, faço a jornada de forma inversa e sempre pela mão  de um amigo alado que me faz lembrar a todo o instante que a esperança, a fé e a força da alma sempre estiveram comigo.

O caminho é longo, dificil e tortuoso mas a cada dia que passa o centro, o nono anel fical mais distante relembrando as outras almas que comigo sofreram e ainda sofrem a mesma jornada.

Já quase vislumbro o céu azul, sinto a temperatura amena e o cheiro a Primavera  que me esperam para lá do infernal portal, cada passo que dou nessa direcção é sem dúvida mais forte, mais firme e mais convicta.

domingo, 2 de outubro de 2011

O Monte Dos Vendavais





 
(O 1º Livro que me deste a conhecer)




O Monte dos Vendavais é uma das grandes obras-primas da literatura inglesa. Único romance escrito por Emily Brontë, é a narrativa poderosa e tragicamente bela da paixão de Heathcliff e Catherine Earnshaw, de um amor tempestuoso e quase demoníaco que acabará por afectar as vidas de todos aqueles que os rodeiam como uma maldição. Adoptado em criança pelo patriarca da família Earnshaw, o senhor do Monte dos Vendavais, Heathcliff é ostracizado por Hindley, o filho legítimo, e levado a acreditar que Catherine, a irmã dele, não corresponde à intensidade dos seus sentimentos. Abandona assim o Monte dos Vendavais para regressar anos mais tarde disposto a levar a cabo a mais tenebrosa vingança. Magistral na construção da trama narrativa, na singularidade e força das personagens, na grandeza poética da sua visão, nodoso e agreste como a raiz da urze que cobre as charnecas de Yorkshire, O Monte dos Vendavais reveste-se da intemporalidade inerente à grande literatura.